NASSAU'S OPTICS ON TOPICS


Publicações


Música – Nº. 650

50 anos

Rolando de Nassáu

"It is time to explain myself" (Walt Whitman)

Em 13 de dezembro de 2001, completamos 50 anos de crítica musical em "O Jornal Batista". Cinqüenta anos mantendo uma coluna num mesmo jornal é um recorde para qualquer colunista, em qualquer matéria.

Nesses 50 anos, foram publicados 630 artigos, focalizando audições, recitais, concertos, transmissões radiofônicas e televisivas, gravações em áudio e vídeo, pulicações permanentes e periódicas, espetáculos, obras, formas, estilos, instrumentos e instituições musicais, compositores, hinógrafos e hinólogos, hinologia, organização e repertório da música-de-igreja, e personalidades da música religiosa e profana. Fomos testemunhas oculares e auditivas de eventos de natureza musical, dentro e fora do ambiente evangélico.

"O Jornal Batista" foi o primeiro periódico evangélico a ter uma seção permanente de crítica musical; este fato repercutiu inusitadamente no livro de Henriqueta Rosa Fernandes Braga ("Música Sacra Evangélica no Brasil", Rio de Janeiro: Kosmos, 1961, pp.371-372) e na "Grande Enciclopédia Delta-Larousse" (Rio de Janeiro: Delta, 1972 e 1979, p. 4.703). Talvez ela faça a única citação de um colunista batista.

Com 15 anos de experiência no "métier", lamentamos que outras pessoas, mais capacitadas, não se dispunham à difícil tarefa da crítica musical (ver: "O Jornal Batista", 01 jan 67). Mas depois deduzimos que as pessoas capacitadas ensinam a fazer música, mas cabe aos críticos ensinar aos leitores a compreendê-la.

Fizemos mais dois balanços (ver: OJB, 27 dez 92, 10 jan 93 e 08 dez 96), sempre com a preocupação de avaliar a intenção e repercussão de nossa crítica.

Nosso primeiro artigo comentou um concerto do Coral "Excelsior"; essa instituição musical evangélica promete voltar à atividade (poderia chamar-se doravante "Fênix" ...), sob a competente direção artística de Delcy Bernardes Gonçalves.

Esta quarta prestação-de-contas dá ensejo a que lembremos outras organizações corais ainda em plena atividade: o Coral "Eclésia" (PIB do Rio de Janeiro), o Coral "Dorivil de Souza" (IB de Madureira), o Coro "Canuto Régis" (Igreja Presbiteriana do Rio), o Coro da Catedral Evangélica de São Paulo, o Coral Evangélico de São Paulo, o Coro da IB do Méier, os coros "Memorial" e "Mensageiros da Paz" (Igreja Memorial Batista) e os coros da IB da Capunga e do Seminário do Norte (no Recife, PE). Lamentavelmente, não mais existem as associações corais evangélicas, que, nas décadas de 50 e 60, divulgaram a boa música sacra.

Nas priscas e ingênuas décadas seguintes, foram publicados os livros de Edmond Keith, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Paul Mc Common, Bill Ichter, João Wilson Faustini, Hugh Mc Elrath, Ruy Wanderley, Gamaliel Perruci e Donald Hustad, que deram boa orientação à música-de-igreja, mas, infelizmente, não tem sido observada pelos dirigentes musicais.

Entre as partituras de alto nível, citamos "São João Batista" (Léo Schneider), "As últimas palavras de Cristo" (Dubois), "Messias" (Haendel) e "Elias" (Mendelssohn). Desde a década de 90, as falsas "cantatas", os espetáculos musicados ("musical shows") , que encobrem sua pobreza musical com artifícios de iluminação, mímica, instrumentação e coreografia, são traduzidas nos EUA e publicadas no Brasil. Em decorrência do desprestígio da literatura coral erudita, há um processo de sucatagem dos coros, que são substituídos por "equipes de louvor", nos cultos dominicais, e conjuntos vocais instrumentais, nos concertos anuais, quando aos instrumentos tradicionais são ajuntados, para fazer barulho, teclados, guitarras, baixos elétricos, baterias e outros instrumentos de percussão.

Naquelas décadas, apesar das falhas técnicas (a exceção é o recente CD "Hinos da nossa história", por nós considerado "a gravação do século"; ver: OJB, 12-18 mar 2001, p.7), foram gravados bons discos evangélicos, antes da avalanche dos CDs atualmente produzidos em virtude do mercantilismo musical.

Nostalgia? Não!, simplesmente constatação de que, no final do século 20, a música, vocal, coral e instrumental, "ao vivo" ou gravada, impressa ou informatizada, sofreu um processo de banalização, massificação e globalização, inclusive em nossas igrejas.

Nesses 50 anos (1951-2001), a última década foi a em que mais se manifestou a decadência artística, a despeito do desenvolvimento tecnológico dos recursos de execução, amplificação, gravação e reprodução sonora.

Entramos no terceiro milênio com a sombria perspectiva de, suplantadas as baterias e os atabaques, serem ouvidas as sete trombetas do Apocalipse (caps.8, 9 e 10).

(Publicado em "O Jornal Batista", 14 jan 2002, p. 4).

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Música - Nº. 654

A música na NVI da Bíblia

Rolando de Nassáu

Pouco tempo depois do lançamento da Versão Revisada (Imprensa Bíblica Brasileira) e da Tradução na Linguagem de Hoje (Sociedade Bíblica do Brasil), escrevemos sobre algumas incorreções no trabalho editorial dessas edições da Bíblia (ver: "O Jornal Batista", 23 fev 92, p.2).

Faremos o mesmo em relação à Nova Versão Internacional (Editora "Vida"). Nosso propósito não é discutir a exatidão lingüística da NVI, mas fornecer informações que esclareçam assuntos musicais.

I – Cabeçalhos no Primeiro Livro das Crônicas

O Primeiro Livro das Crônicas atribui excepcional importância ao canto, à música e à liturgia, dedicando mais espaço à organização dos Levitas do que à dos Sacerdotes. Os Levitas encarregavam-se somente do canto, da música, da manutenção e da vigilância do Templo.

O interesse que o Cronista demonstra pelo canto e na ordem levítica dos Cantores sugere que ele era membro desta classe clerical. Para ele, as palavras litúrgicas dos Cantores, divinamente sancionadas, são tão importantes quanto os atos litúrgicos dos Sacerdotes: os Cantores profetizavam.

Ah! Quem dera fosse o canto dos coristas tão espiritual quanto a homilia dos pregadores!

O uso da expressão "ministério de profetizar" (25:1) tem cabimento no contexto histórico.

Como organizador do culto divino, o rei Davi ordenou que a Arca fosse levada para Jerusalém e que, uma vez colocada no meio da tenda, houvesse um culto solene. Mesmo antes de iniciada a construção do Templo, Davi encarregou certos Levitas e Sacerdotes de praticarem o canto e a música no culto a Jeová.

Entre os Israelitas, após a construção do Templo, erigido pelo rei Salomão, a hierarquia clerical consistia de: 1) clero superior; 2) clero inferior - os Levitas: cantores, músicos, serventes e guardas do Templo. No culto organizado da época pré-exílio, houve oportunidade para profetas. Depois da reconstrução do Templo, o papel do profeta foi desempenhado pelo autorizado, e por isso inspirado, cantor dos textos litúrgicos.

Preliminarmente, verificamos que, nos capítulos 6 e 25 do Primeiro Livro das Crônicas, os cabeçalhos "Os Músicos do Templo" e "Os Músicos", são inadequados. Pelo capítulo 15, somos informados de que havia, entre os Levitas, cantores e músicos. Portanto, os cabeçalhos deveriam ser substituídos pela epígrafe "Cantores e Músicos".

II – Cabeçalhos dos Salmos

São associadas com o uso litúrgico dos Salmos várias palavras hebraicas, às vezes acrescentadas aos cabeçalhos dos Salmos, as quais, provavelmente, são termos musicais ou indicações para os coros da época do Cronista, quando os Salmos foram colecionados. Essas palavras podem ser: 1) descritivas; 2) indicativas; 3) instrumentos musicais; 4) interpretativas; 5) referências a melodias originais; 6) época de execução: 7) local de execução; 8) embora não apareça nos cabeçalhos, mas no final de uma estrofe, a palavra "selah" é usada em 39 Salmos.

Imitando a Versão Revisada e a Tradução na Linguagem de Hoje, e atendendo atavicamente a uma tradição editorial, a NVI inscreveu essas palavras hebraicas, transliteradas ou traduzidas, nos cabeçalhos dos Salmos.

Em nossa opinião, são dispensáveis, pelas seguintes razões: 1ͺ.) as denominações evangélicas são não-litúrgicas, isto é, não adotam liturgia em seus cultos; 2ͺ) as palavras dos cantores não têm eficácia litúrgica; 3ͺ) as palavras hebraicas não fazem parte do texto inspirado da Bíblia; são apenas indicações dos editores dos livros litúrgicos (Crônicas, Salmos, e outros); 4ͺ.) a inclusão delas nos cabeçalhos dos Salmos não tem nenhuma utilidade prática, nem significação espiritual; não conhecemos as melodias, nem usamos os instrumentos musicais daquela época remota.

A exemplo do que fez Martin Luther em sua tradução para a língua alemã, a NVI, em sua próxima edição, poderia dispensar quaisquer cabeçalhos para os Salmos.

III – Indicação de instrumentos musicais

No aspecto do estilo musical a ser usado pelas igrejas contemporâneas no culto divino, a Nova Versão Internacional (NVI), mesmo que tenha procurado a exatidão lingüística, comete um erro lamentável, de conseqüências imprevisíveis para a preservação da música sacra: enquanto a Versão Revisada usa a palavra "adufe" (pandeiro árabe usado pelos Hebreus), e a Tradução na Linguagem de Hoje, o termo "pandeiros" (címbalos, pratos-de-orquestra), a Nova Versão Internacional, no Salmo 150, versículo 4, admite "tamborins", instrumento musical muito usado nas baterias das escolas de samba ...

(Publicado em "O Jornal Batista", 22 abr 2002, p. 4).

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Música – Nº. 659

Bateria, a rainha dos "shows"

Rolando de Nassáu

"When you take some skins, jazz begins …"

( Basta pegar uma bateria, para se ter jazz ... )

Se o órgão é o rei dos instrumentos musicais usados no culto divino, a bateria é a rainha dos "shows", sejam ou não sejam evangélicos. Tanto a bateria quanto os "shows" são matéria de interesse para a mídia, inclusive para a revista de música batista "Louvor" (Ano 25, Volume 3, Nº.92, 3T02, jul./set.2002).

Em seus 25 anos de existência, a revista tem abrigado opiniões ousadas a respeito da execução musical em nossas igrejas. Concordamos com o preceito constitucional de que deve ser livre a opinião e a manifestação do pensamento individual. Mas esperamos que os colaboradores sejam eficientes e eficazes na expressão de suas opiniões. A revista deu vez e voz a um baterista.

No caso em pauta, o articulista, depois de afirmar que "a maioria das igrejas no Brasil hoje já aceita e possui este instrumento" e cometer a extravagância de dizer que "quem dita o ritmo da música da forma mais eficaz é o baterista", "até nas músicas trabalhadas por orquestras", e a ousadia de concluir que "qualquer gênero de instrumento musical" e "qualquer tipo de ritmo" pode ser usado na música-de-igreja, prometeu mas não conseguiu atender ao desejo da Redação de orientar seus leitores sobre o uso da bateria na igreja. Para tanto, o articulista pretendeu "traçar um paralelo entre os instrumentos de percussão mencionados na Bíblia com a atual bateria".

Questionamos as opiniões do articulista: em primeiro lugar, qual a estatística em que se baseia para afirmar que a maioria das nossas igrejas aceita e possui uma bateria?; em segundo lugar, quais são as obras de música sacra em que o baterista é quem dita o ritmo?

Na opinião do baterista, qualquer gênero de instrumento musical pode ser usado; evidentemente, depende do tipo de ritmo; se for ritmo popular, cremos não ser o apropriado.

Ele tentou um paralelo entre instrumentos mencionados na Bíblia com a atual bateria; não ensaiou uma orientação sobre o uso da bateria.

O paralelo é descabido, pois os referidos instrumentos, nos casos mencionados nos Livros de Samuel (Primeiro, 10:5 e 18:6, e Segundo, 6:5) não participavam de um ato litúrgico, nem os músicos que tocavam saltérios, tambores, flautas e harpas formavam uma instituição.

Não cabe equiparar os instrumentos da Antiguidade bíblica com os atualmente usados na música de jazz. O baterista de hoje não é o tocador de tambor no tempo do Velho Testamento.

Com efeito, à bateria e outros instrumentos de percussão está sendo dada importância, por causa da penetração nas igrejas dos ritmos, estilos e instrumentos da música popular. Alguns músicos batistas (Mark Hayes e seus seguidores no Brasil) descobriram o jazz e a "big band"; estão fazendo arranjos de hinos e cânticos. Em certas igrejas, sempre se encontra um Fulano Batera para defender o instrumento espetacular.

Nas igrejas contemporâneas, o baterista imita os trejeitos dos músicos congêneres do jazz; sua atitude no palco (às vezes ao lado do púlpito!) é a de um "jazzman"; as congregações passaram a ouvir o tambor da música popular, porque é o tambor que cadencia os ritmos de dança.

O tambor e a bateria de jazz estão ligados à origem musical africana. É oportuno lembrar que os escravos africanos, que começaram a chegar à América em 1619, mantiveram-se fiéis à tradição musical da África; na música africana, os tambores não rufam (tradição européia), mas cadenciam danças e cânticos. Um dos mais conhecidos rituais africanos que penetraram nos EUA, embora praticado quase sempre de modo clandestino, é o vodu, "o qual, aliás, apresenta inúmeras semelhanças com o candomblé brasileiro" (ver: Carlos Calado, O Jazz como espetáculo. São Paulo: Perspectiva, 1990, p.71). Na prática musical das primitivas igrejas batistas negras dos EUA a execução mais significativa era a dos tambores. No Brasil, os africanos também trouxeram grande variedade de tambores, que eram usados em cultos fetichistas.

Amigo leitor, se você vê uma bateria no templo é porque ela está fora do seu ambiente. Mas para o baterista não importa que ela seja tocada no templo ou numa sala-de-espetáculo; ela é a rainha do "show"!

PS – No artigo "Tipologia do gospel", escrevemos que existem três tipos: o de culto, o de concerto e o de espetáculo. No sábado, 13 de julho, surgiu em Brasília o quarto tipo: o "gospel de comício" ...

(Publicado em "O Jornal Batista", 22 set 2002, p. 4).

22 julho 2002.

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Música – Nº. 663

Crítica musical

Rolando de Nassáu

Por acaso, com 22 anos de idade, em 13 de dezembro de 1951, assumimos a responsabilidade de publicar, em "O Jornal Batista", uma crônica, comentando um concerto do Coral "Excelsior", na cidade do Rio de Janeiro.

Adotamos o nome literário de Rolando de Nassau, a fim de que os leitores julgassem o artigo, e não o escritor.

A reação causada pela crônica fez-nos decidir continuar a experiência, tornando-nos crítico musical ...

O crítico musical não deve abandonar a arena da música, nem esquecer o seu devido lugar: deve ater-se à matéria de música e ser humilde diante dos músicos.

Temos sido auto-didatas e confiamos na boa qualidade de nosso gosto musical, acrisolado ao longo do tempo. Mas, desde os primeiros anos, sentimos nossa incapacidade, por nos faltar formação acadêmica para o exercício da crítica. Já em 1966 confessávamos: "Temos consciência de nossos deveres éticos e de nossas limitações culturais. Lamentamos que outras pessoas, mais capacitadas, não se disponham à difícil tarefa da crítica musical" (ver: "O Jornal Batista", 01 jan 67).

Passaram-se 35 anos, mas "as outras pessoas" não apareceram ... Temos um atraso de 50 anos na formação de críticos musicais nas escolas de música, dentro e fora dos seminários e das faculdades.

O curso de Crítica Musical deve ter como objetivos básicos: 1o) o desenvolvimento das técnicas de redação; 2o) a prática da cobertura jornalística de temas e eventos musicais; 3o) a capacitação para a percepção e a verbalização do fato musical; 4o) a utilização do recital e do concerto, bem como dos suportes videográficos ou fonográficos, para a comunicação entre os intérpretes e o público leitor; 5o) o entendimento de que a interpretação e a crítica são fatos históricos; 6o) a divulgação de análises feitas por críticos musicais.

Atualmente, os cursos mais avançados estão discutindo a música como fenômeno cultural, por meio da Semiologia (Semiótica): a retórica barroca, os "leitmotif" de Wagner, a técnica serial, a música de um compositor, de uma nação ou de uma época.

Os músicos, inclusive os batistas, nos últimos 50 anos, tiveram uma certa desconfiança para com a crítica musical.

Alguns, mais ilustrados, argumentam que o trabalho do critico busca explicar a obra musical com a linguagem verbal. Parece mais aceitável escrever crítica sobre poesia, pois o poeta e o crítico utilizam a mesma linguagem. Que existe de comum entre a línguagem verbal do crítico e a linguagem sonora do músico? Por isso, são mais aceitas as críticas sobre músicas de tipo poético.

Um célebre crítico musical reconheceu a dificuldade da critica: "Na música, há sentido e lógica, porém "musicais"; é uma língua que falamos e entendemos, mas que não estamos em condições de traduzir" (Eduard Hanslick, Do Belo Musical).

Existe a crítica metafórica, em volta da alma da obra musical; e a crítica analítica, que pretende penetrar no esqueleto.

Existem dois modelos: o de crítica científica ou analítica, e o de crítica intuitiva ou impressionista.

Apesar de tudo, a crítica musical nunca deixou de ser exercida, até mesmo pelos ouvintes que não são críticos ...

Um outro famoso crítico musical escreveu que seria difícil encontrar música destituída de todo pensar, só fenômeno sonoro, e, ao contrário, enquanto pensar absoluto, deixaria de ser música e se converteria impropriamente em linguagem (Theodor Adorno, Arquivo de Filosofia).

A crítica científica valoriza o aspecto lingüístico da música; a crítica intuitiva enfatiza o aspecto sonoro.

Quais são os elementos utilizados na análise crítica de uma obra musical? 1o) estudo geral da obra, quanto à sua forma (plano estrutural sobre o qual foi concebida a obra), estilo (contexto existencial e histórico, relação com alguma escola estilística) e harmonia (entrosamento dos movimentos melódico e harmônico); 2o) exame particular das células melódicas, ritmicas e harmônicas da obra; 3o) verificação do tom, compassos, esquema e andamento da obra.

(Publicado em 05 jan 2003, p. 4).

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Música – Nº. 668

Pronúncia latina

Rolando de Nassáu

"Jam a prima adolescentia", como diria o escritor romano Marcus Tullius Cícero; desde os dias ginasianos (1943-1946), temos seguido as lições dos latinistas Brant Horta, Vandick Londres da Nóbrega e Geraldo de Ulhôa Cintra; mais recentemente, as observações de Thomas Lynch Cullen.

Durante muito tempo, escrevíamos e pronunciávamos "hinódia" e "salmódia", até que um colega da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados advertiu-nos: a escrita e pronúncia correta é "hinodia" e "salmodia".

Ultimamente, nos concertos de música erudita, temos observado que coros evangélicos têm tido dificuldade na pronúncia de palavras latinas. Relembraremos aqui algumas normas que aprendemos com os referidos latinistas.

O alfabeto usado pelos Romanos essencialmente foi conservado no alfabeto português; o "j" foi introduzido para representar o "i", antes das vogais (jaculatio); o "v", para representar o "u", antes das vogais (navis); mas o "u" permaneceu, antes das consoantes (nauta).

Ao conjunto das cinco vogais do latim, pronunciadas com som aberto, acrescentou-se o "y", usado em palavras oriundas do grego (hymnus, hymnologus); os Romanos usavam vogais longas (fechadas) e breves (abertas), que os dicionaristas indicam com os sinais "____" (longas) e "U" (breves).

Em latim, os mais freqüentes ditongos eram "ae" (caelum – cé-lum; Caesar – cé-sar) e "au" (lauda – láu-da); relativamente raro, o ditongo "oe" (oeconomia – é-co-no-mia).

A consoante "C" tem o som de cá (caritas - cá-ri-tas). As consoantes "CC" e "SC", antes das vogais "e", "i", "y", e dos ditongos "ae", "oe", são pronunciadas assim: ecce – ét-che; descendit - de-chen-dit. As palavras que contêm o conjunto "CE" têm o som "ss" (pacem – pá-ssem; tacet - tá-sset). O conjunto "CH" tem o som de cã (charites – cã-rí-tes; chamaeleon – cã-me-le-on). O conjunto "SC", entre vogais "e", tem o som "ss" (crescere – kre-sse-re).

A consoante "G", antes das vogais "e", "i", "y", e dos ditongos "ae", "oe", tem som brando (gemellus - gê-me-lus; agimus - a-jí-mus; genitum - gê-ni-tum; magi - má-jí; nugae – nú-je); antes da vogal "o", som forte (ego – é-gó); antes da letra "n", tem som duro (dignus – dig-nus). As consoantes "GN" são pronunciadas como "ní" (magnificat – má-ni-fi-cat).

A consoante "H", em duas palavras, tem o som de "qui" (nihil – níquil; mihi – mi-qui); nas demais, é sempre muda.

A consoante "J" tem o som de "i" (jam – i-am).

A consoante "R", antes da vogal breve "e", deve ser enfatizada (redemptor - rê-demp-tor).

A consoante "S", entre duas vogais, deve ter pronúncia abrandada (miserere - mi-ze-re-re).

A consoante "T", entre vogais, soa como "ss" (jubilationis – iu-bi-la-ssi-o-nis). O conjunto "TI", antes de vogal, é pronunciado como "tsi" (gratia-grá-tsi-a; nationes – ná-tsi-o-nes). O conjunto "TH" é pronunciado como "t" (thesaurus – te-sau-rus).

A letra "X" é sempre pronunciada "ks", jamais "z" (exercitus - é-ks-ser-ci-tus). O conjunto "XC", antes das vogais "e", "i","y", e dos ditongos "ae", "oe", é pronunciado assim: excelsis - eks-cel-sis; antes das vogais "a", "o", "u", tem som duro (excandescentia – eks-an-des-cen-tia; excordis - eks-cor-dis; excussorium - eks-cu-sso-ri-um).

As letras gregas "Y" e "Z" são pronunciadas como "i" e como "dz", respectivamente.

Entre os coros de cultura anglo-saxã ou latina, existe a tendência para uma pronúncia particular. Aos estudiosos sugerimos, para efeito de comparação entre essas peculiaridades de pronúncia, que ouçam: o "Requiem", de Mozart, interpretado pelo Coro "Bach", de Munique (Karl Richter), Coro da Ópera de Viena (Karl Bohm), Coro da BBC de Londres (Colin Davis) e Coro "John Al-ldis (Daniel Barenboim), ou o "Requiem", de Fauré, na interpretação pelo Coro "Lês Chanteurs de Saint-Eustache" (André Cluytens) e pelo Coro do "King’s College" (Philip Ledger).

Depois, digam quais as diferenças de pronúncia encontradas ...

(Publicado em "O Jornal Batista", 01 jun 2003, p. 4).

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Música – Nº. 671

"Marketing" na adoração!?

Rolando de Nassáu

Na revista de música batista "Louvor" (Ano 26, Vols.1, 2 e 3, Nºs. 94, 95 e 96) foram publicadas as três primeiras partes do artigo "O marketing na adoração", de Eliane Valentim, gerente comercial de uma grande empresa estatal (dela não revelamos o nome para não fazer propaganda ...), que vê as igrejas tratando de administração "de uma forma muito leiga". Para Eliane Valentim, "marketing" é uma religião; fora do "marketing" não há salvação na música-de-igreja. Ela imita o marqueteiro católico Antônio Miguel Kater Filho.

Nas igrejas, o problema dos profissionais, especialmente dos mais gabaritados, é querer introduzir técnicas profanas nas atividades religiosas; quando o profissional trabalha em área econômica, sua preocupação é querer lançar e sustentar um produto ou serviço em sua comunidade eclesiástica; no caso, uma música, um cântico, um ritual, uma gravação, ou uma "equipe de louvor", um cantor, um instrumentista, uma "banda", em determinada igreja, vista principalmente como mercado consumidor daquele produto ou serviço.

Para Eliane Valentim, "é imprescindível o conhecimento cada vez maior das pessoas que formam o rebanho", isto é, o mercado consumidor cativo. Ela aconselha que seja traçado o perfil do adorador, isto é, do consumidor; que sejam relidos "alguns conceitos de marketing" e adaptados ao ministério de música em nossas igrejas, tendo em vista "satisfazer as necessidades do cliente", isto é, da multidão de freqüentadores dos cultos, do crente ou incrédulo que assiste a um culto; a igreja é "o cliente".

O marqueteiro pode criar "desejos e necessidades até então não existentes"; ele transforma o supérfluo em necessário. Nas igrejas contemporâneas (as que querem estar "na moda"), a "equipe" e o "grupo" de louvor são expedientes supérfluos que se tornam necessários para conseguir a atenção de suas congregações. Isto acontece porque o canto e a música não são executados em louvor a Deus, mas para entretenimento das congregações.

Para o "marketing", afinal, o consumidor (o assistente do culto) é mais importante do que o serviço religioso (o culto); por outro lado, a mercadoria pode ser mais importante que a pessoa; no culto vale qualquer música, sacra ou profana; se o consumidor deve gostar de "rock" e coreografia, então o marqueteiro da igreja, orientado pelas técnicas recomendadas por Eliane Valentim, procurará criar no crente comum o desejo e a necessidade de dançar no ritmo do "rock"; alguém ainda terá a coragem de escrever que a coreografia é "uma forma de louvar a Deus" (ver: OJB, "Cartas dos leitores", 13 jul 03, p.6).

Sem querer discutir questões éticas, teológicas e eclesiológicas, Eliane Valentim informa que uma igreja nova, "antes mesmo de abrir suas portas ... contratou um instituto de pesquisas para descobrir o que seus clientes desejariam ... Então a igreja passou a adotar música contemporânea e brincadeiras, afrouxou seus códigos sobre vestuário e apresentou sermões sobre tópicos como gerenciamento de dinheiro e planejamento familiar".

Eliane Valentim indica as estratégias que adaptam o ministério de música de uma igreja às técnicas de "marketing". A missão desse ministério é condicionada pelos interesses do mercado, dividido em grupos de diferentes necessidades, características e comportamentos. Para garantir a aceitação do produto ou serviço, cada segmento do público-alvo é sensibilizado por uma "promoção". Por sua vez, a igreja, que está investindo tempo (comparecimento aos cultos) e dinheiro (entrega de dízimos e ofertas) no ministério de música, quer ver o retorno: uma execução musical compatível com seu gosto peculiar. O ministro de música, orientado pelo "marketing", procurará saber que movimentos e tendências musicais têm surgido nos últimos anos, porque é preciso que a igreja entre "na onda".

Uma das conseqüências negativas do "marketing" é escancarar as portas do templo para o mercantilismo religioso: "estrelas" do canto terão uma boa parte do culto para lançar seus discos; autores e compositores lançarão seus livros e partituras; todo tipo de profissional oferecerá seus serviços na área musical. É muito difícil aceitar a idéia de que há necessidade de aplicar técnicas de "marketing" ao ministério de adoração (que envolve o louvor das vozes e dos instrumentos musicais), porque culto, essencialmente, é ato espontâneo e abnegado. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, livre de coações, influências, insinuações, ingerências e sugestões subliminares de uma propaganda mercadológica.

(Publicado em "O Jornal Batista", 07 set 2003, p. 4).

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Doc.JB-700

Querem cobrar pelos hinos que cantamos!

Rolando de Nassáu

(Dedicado ao leitor Elielson Santos da Silva, de Suzano, SP)

Na década de 80, os evangélicos no Brasil tornaram-se mais visíveis, em virtude de seu crescimento numérico, e mais interessantes como mercado consumidor. Seus costumes e sua música atraíam a atenção dos produtores.

No princípio de 1987, houve um atentado ao direito autoral da JUERP: veiculada pela Rede Globo, em horário nobre, apareceu estrepitosamente propaganda comercial que incluía a letra e a música do estribilho do hino "Vencendo vem Jesus" (no. 112 do "Cantor Cristão"). Interpelada, a agência de publicidade retirou da televisão o anúncio infringente do direito autoral.

Os que eram, ao mesmo tempo, evangélicos e empresários, imaginaram ter chegado a sua oportunidade de ganhar muito dinheiro. Naquele ano, sem ficar inibido pela vitória da JUERP, o deputado paranaense Matheus Iensen apresentou, na Assembléia Nacional Constituinte, com referência ao direito autoral, dez emendas; a principal, com o seguinte teor: "salvo sobre músicas sacras inspiradas ou baseadas em textos bíblicos, cujos direitos serão de imediato domínio público". Iensen era empresário em radiodifusão e tentou cercear o direito dos músicos.

Em 1988, os principais compositores evangélicos sentiam-se responsáveis pela música que estavam produzindo; embora estivessem preocupados com a elaboração e publicação de partituras, muitos não providenciavam o seu registro para o efeito de garantir os direitos autorais; em 31 de maio, participaram de uma mesa-redonda, quando tomaram conhecimento da grave ameaça da proposição de Iensen. Presente à reunião, Marcílio de Oliveira Filho dali saiu para liderar uma campanha dos músicos evangélicos em defesa dos direitos de todos os compositores religiosos. Logo depois, novo dispositivo, que determinava a não aplicação do direito autoral "à música sacra baseada em textos bíblicos, quando utilizados em programas de caráter religioso". Na ocasião, o constituinte Brandão Monteiro afirmou: "Não sei a quem beneficia nesta Casa, mas sei que estabelece que não há direitos autorais para compositores de música sacra; talvez para beneficiar os donos de gravadoras de música sacra".

A intenção de Iensen era não reconhecer o direito autoral aos compositores: 1Ί) de partituras de música sacra; 2Ί.) de músicas sacras utilizadas e difundidas em programas radiofônicos e televisivos de caráter religioso; 3Ί.) inclusive aos tradutores das letras e intérpretes (vocais e instrumentais) das obras.

Além disso, Iensen queria interferir na difusão radiofônica de músicas sacras e profanas (estas do gênero erudito) consideradas de domínio público, alcançando a difusão realizada pelas agências de publicidade.

A emenda principal foi retirada; as outras nove foram rejeitadas pela Assembléia Nacional Constituinte. Mais uma vez, a JUERP venceu!

Por meio de prestimoso (por isso, prestigioso) mensário evangélico independente (publicado em Curitiba pelo intelectual Josué Sylvestre), pela edição de agosto de 2005 da "Carta Aberta" tomamos conhecimento da denúncia do deputado paulista Gilberto Nascimento, feita da tribuna da Câmara dos Deputados, contra o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição.

Conforme essa denúncia, o ECAD estava visitando templos evangélicos na capital paulistana para saber quantas pessoas assistiram aos cultos e calcular quanto cobrar das igrejas pela execução de cânticos, alegando que estes estavam protegidos pela legislação dos direitos autorais. O fiscal teria informado que a cobrança desses direitos estava prevista na Lei nΊ. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998; citando o artigo 68, sem prévia e expressa autorização do autor ou titular do direito autoral, não poderiam ser utilizadas "composições musicais ou lítero-musicais (como é o caso dos hinos e cânticos) em execuções públicas". Com efeito, em conformidade com o parágrafo 3Ί. do artigo citado, são considerados, entre outros locais, de freqüência coletiva, as associações de qualquer natureza, que devem recolher ao ECAD os direitos autorais. Evidentemente, o fiscal desconhece a Lei nΊ. 10.825, de 22 de dezembro de 2003, segundo a qual é livre o funcionamento das organizações religiosas; essa lei definiu as referidas organizações e alterou o novo Código Civil, instituído em janeiro de 2002, que não estava atentando para os Artigos 5Ί. (item VI) e 19 (item I) da Constituição.

Portanto, as igrejas não são "associações de qualquer natureza" (Lei nΊ. 9.610), das quais o ECAD pode legalmente cobrar direitos autorais pela execução pública de composições musicais ou lítero-musicais. As igrejas são organizações religiosas (Lei nΊ. 10.825), que têm liberdade para regular seu funcionamento e exercer seu culto, sem qualquer embaraço.

Em 1987, houve um atentado ao direito autoral em relação ao "Cantor Cristão". Por isso, a JUERP, os letristas, os tradutores, os compositores e os arranjadores do "Hinário para o Culto Cristão", logo depois do hino no. 613, tiveram o cuidado de informar sobre os direitos autorais.

Em 1988, houve a tentativa de negar esses direitos aos hinógrafos, tradutores, compositores, arranjadores e intérpretes de obras sacras.

Cobrar taxas pelos hinos que cantamos seria a mais torpe insensibilidade. Acautelem-se contra a sanha de algum fiscal incompetente do ECAD !

(Publicado em "O Jornal Batista", 05 fev 2006, p. 4).

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Doc.JB-705

Confissões de um desiludido

Rolando de Nassáu

(Dedicado ao leitor Herivelto Carvalho Pereira, da Califórnia, EUA)

Dan Lucarini publicou em 2002 (na Inglaterra e nos EUA) e em 2005 (no Brasil, pela Editora Fiel, em São José dos Campos, SP), o livro "Confissões de um ministro de louvor – Por que deixei a Música Cristã Contemporânea).

Lucarini era roqueiro antes de sua conversão, em 1973; depois, foi líder de louvor "contemporâneo", sendo fervoroso entusiasta da MCC (ver: "Música evangélica com ritmos populares", OJB, 04 dez 05, p.4). O Lucarini convertido passou a amar os hinos; então, o "rock" parecia-lhe música "profana, barulhenta e odioas" (p. 23). Mas sua adesão à MCC levou-o novamente à música profana; a MCC não era meramente um estilo musical, mas uma filosofia de vida. Por isso, empenhava-se para que as igrejas abandonassem o formato "tradicional" de culto e adotassem o "contemporâneo". Ele argumentava assim: a música é neutra; é matéria de preferência pessoal; a Bíblia não diz que o "rock" é mal; o que importa é o coração de quem executa; Lutero e os Wesleys usaram música popular; o "rock" é necessário na evangelização; a MCC está salvando os adolescentes; etc. Debatemos esses argumentos em nosso artigo "Uma igreja com propósitos musicais", parcialmente publicado em OJB (03 jan 2000, p.8).

Lucarini aderiu à MCC e ao estilo "praise and worship" (louvor e adoração) usado pelas igrejas "contemporâneas", porque: 1) era a música em que tinha talento e pela qual sentia atração; 2) esse ambiente musical fazia bem ao seu ego; 3) os pastores desejavam esse tipo de música em suas igrejas.

Mas podia observar que os "contemporâneos" difundiam a idéia de que "você pode vir a Deus, pois Deus o aceitará como você é", idéia tolerante que a sociedade moderna defende. Que diziam eles? "Permaneça como você está no que se refere à música, à linguagem, à indumentária e aos hábitos sociais". Na verdade, não podemos permanecer como somos. Pelo contrário, devemos jogar as mazelas para longe de nossas vidas.

Em nossos dias, existe a Igreja da Aceitação: todos os pecadores podem entrar e continuar pecadores contumazes; a Igreja é para todos, crentes e ímpios!

Aceitar é mais importante do que discernir entre sacro e profano!

Os crentes "tradicionais" têm medo de falar sobre os estilos musicais, particularmente o "contemporâneo". Quando permitem o uso de ritmos, estilos e instrumentos populares no templo e durante o culto, estão permitindo a irreverência e a imoralidade com as quais a música profana está inevitavelmente associada.

Lucarini afirma em seu excelente livro que o "rock" é um estilo musical que foi criado com propósitos imorais, para homens imorais, e sempre tem sido usado pelo mundo para expressar suas atitudes imorais por meio do canto e da música; energicamente acrescenta: "quando você combina a dança sensual com a indumentária imodesta de mulheres na plataforma do púlpito, você coloca uma pedra de tropeço à frente dos homens da congregação".

Mudar as letras e substituir os músicos roqueiros não remove o estigma do "rock". Todos os estilos musicais têm uma dimensão moral; eles são fácil e inevitavelmente associados com algum aspecto mundano. Será que Deus se agrada com música que é tocada na bateria para Madonna, Michael Jackson et caterva? (OJB, 05 mar 2006, p. 4).

John Mac Arthur Jr. ("Com vergonha do Evangelho", Editora Fiel) observou que a pressa em "fazer" igrejas, "na prática, torna-se uma desculpa para introduzir atrações mundanas na igreja, a fim de atrair os "interessados" ou os "sem igreja"". Lucarini ponderou que tais igrejas também usam a MCC nos cultos para os "santos" ...

Em 2002, o roqueiro desiludido constatou que estava "desafiando uma fortaleza poderosa". A MCC, que vinha trabalhando as mentes e os corações dos pastores e das igrejas desde a década de 70, estava aliada ao esquema industrial e comercial das gravadoras, emissoras de rádio e televisão e lojas de discos. O estilo "praise and worship" (louvor e adoração) era o preferido das igrejas "contemporâneas" e estava penetrando nas "tradicionais".

A definição e a significação da palavra "adoração" dadas pelos músicos da MCC têm pouquíssima semelhança com o teor bíblico.

"Podemos usar qualquer estilo de música no culto, na adoração e no louvor", é uma das afirmações da MCC. Os músicos "contemporâneos" chamam de legalismo qualquer regra que limite as escolhas musicais. Essa opinião tem neutralizado o discernimento bíblico tentado por parte de alguns crentes "tradicionais".

Resumidamente, Lucarini deixou a MCC porque: 1) não poderia aceitar que a música é amoral, que ninguém deve avaliar os gostos musicais; 2) verificou que a Bíblia ensina sobre o culto verdadeiro; 3) para preservar seu casamento e ser fiel a Deus em todas as coisas, precisava afastar-se das tentações no cenário da MCC: a satisfação do ego e as mulheres da "equipe de louvor"; 4) os "contemporâneos" não observam qualquer regra; os ministros de música acabarão forçados a aceitar qualquer estilo musical, por mais mundano e sensual que seja.

Em 2002, Dan Lucarini arrependeu-se da profanidade de sua arte musical e voltou para a música interessada na santidade de Deus. Ele oferece aos pastores e ministros de música oportunas sugestões. http://www.abordo.com.br/nassau/

(Publicada em "O Jornal Batista", 04 jun 2006, p. 4).

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Música – Nº. 708

"Pra cima, Brasil"

Rolando de Nassáu

(Dedicado ao leitor Zacarias Gomes da Silva, de São Gonçalo, RJ)

Em meados da década de 60, Chico Buarque de Hollanda destacou-se na chamada Música Popular Brasileira com a canção-de-protesto "Pedro pedreiro", na qual é contada a situação de um trabalhador, que não tem vintém, à espera de um trem, na esperança de trabalhar "para o bem de quem tem bem". A canção-de-protesto apareceu como imediata reação ao regime instaurado em 1964.

Algo tardiamente, a preocupação com os problemas sociais foi acolhida 20 anos mais tarde na música evangélica brasileira, especialmente nos hinários "Novo Canto da Terra" (1987) e "Cantar a Esperança" (1988).

No início da década de 80 tinha surgido um cantor, hinógrafo e compositor evangélico, que depois tentou a canção-de-protesto de sentido religioso - João Alexandre; um bom e oportuno exemplo, de sua lavra, é "Pra cima, Brasil", com os seguintes versos: "Como será o futuro do nosso país? Surge a pergunta no olhar e na alma do povo. Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros. Cada vez menos dinheiro pra sobreviver. Onde andará a justiça, outrora perdida? Some a resposta na voz e na vez de quem manda. Homens com tanto poder e nenhum coração. Gente que compra e que vende a moral da nação. Brasil, olha pra cima. Existe uma chance de ser novamente feliz. Brasil, há uma esperança. Volve teus olhos para Deus, justo juiz".

João Alexandre assumiu uma posição crítica diante de temas agora tratados em hinários evangélicos "tradicionais", inclusive no HCC (hinos nos. 549-556) e da onda ufanista despertada pela Copa do Mundo ("Pra frente, Brasil").

Antes da atual ênfase no combate à fome e aos baixos salários, João Alexandre afirmou: "Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros. Cada vez menos dinheiro para sobreviver".

O hinário "Novo Canto da Terra" (NCT) anseia pelo dia em que "os nossos pratos numa terra dividida um dia se dividam numa terra reunida" (hino no. 189), ao mesmo tempo em que reconhece que "o dinheiro, as honrarias, são comidos pela traça; nossas falsas alegrias não têm vida, nem têm graça" (NCT-55), e pondera:

"como vamos cantar, se o Irmão é explorado, se lhe fazem calar, se ele é sempre anulado?" (NCT-168).

Diante do quadro de miséria material, João Alexandre indaga: "Como será o futuro do nosso país? Surge a pergunta no olhar e na alma do povo". O NCT-5 responde: "Ouviremos as vozes da esperança sem temer, para viver mesmo no escuro? Pela fé, viveremos na confiança que ilumina o caminho do futuro", para lembrar aos crentes: "E se não fosse o Senhor que estava ao nosso lado, que o diga você que é brasileiro" (NCT-36).

Além da miséria material, João Alexandre aponta para a corrupção promovida atualmente pelos poderosos: "Some a resposta na voz e na vez de quem manda. Homens com tanto poder e nenhum coração. Gente que compra e que vende a moral da nação".

O hinário "Cantar a Esperança" (p.48) lembra que o Evangelho "atacou corruptos, mercadores, por isso é que hoje temos esperança, por isso olhamos hoje em confiança para o porvir dos povos oprimidos".

Será que os Evangélicos no Brasil, que nos primórdios sofreram perseguição por causa de sua fé e de sua doutrina, na atualidade estão se levantando contra os poderosos que corrompem todos os setores da nação brasileira?

Infeliz e lamentavelmente, políticos evangélicos foram envolvidos por escândalos nos estados e municípios. Membros da bancada evangélica no Congresso Nacional participaram de esquemas escusos e fraudulentos. Os crentes evangélicos não podem ser complacentes com os corruptos.

Na época do hinário NCT (década de 80), um hinógrafo considerou que "homens poderosos se levantam contra nós para nos assustar com crimes e torturas; sua enorme violência nos faria perecer, quando nos impingiram tramas e mentiras" (NCT-36). João Alexandre insiste: "Onde andará a Justiça?". O hinário responde: "E nossa voz soará como um terrível gemido, pela justiça a clamar" (NCT-140). O novo hinógrafo dá um alento ao cantor ("Brasil, há uma esperança. Existe uma chance de ser novamente feliz"), apoiado pelo hinário de 1987: "Nunca se acaba a esperança, pois Cristo está vivo e não sofre mudança. Ela se cumpre na história, marcante, concreta, e explode na glória" (NCT-171).

Finalmente, o novo hinógrafo incentiva o povo brasileiro, não a torcer pela seleção de futebol, mas a depositar sua confiança em Deus: "Brasil, olha pra cima. Volve teus olhos para Deus, justo juiz". Mas o hinário adverte: "Não será pela aparência, do olhar, do ouvir dizer, que Ele irá julgar os homens, como é praxe acontecer. Mas os pobres desta terra com justiça julgará, e dos fracos o direito Ele é quem defenderá" (NCT-20).

Esta é a oportunidade para autores e compositores, que se dedicam à música de entretenimento, terem um pouco de seriedade no trato de problemas sociais. Fazem falta canções-de-protesto. Seria bom que viessem a público antes das próximas eleições. Mas teriam de ser apartidárias, pois todos os partidos políticos tradicionais foram contaminados. Seria melhor que fossem cantadas antes dos eleitos tomarem posse. Mas teriam de repetir o refrão: "Pra cima, Brasil".

(Publicado em "O Jornal Batista", 03 set 2006, p. 4).

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Música – Nº. 710

55 anos de crítica musical

Rolando de Nassáu

(Dedicado à leitora Betty Antunes de Oliveira, do Rio de Janeiro, RJ)

Em 13 de dezembro de 1951 foi publicado nesta coluna nosso primeiro artigo de crítica musical. Desde então, em 709 artigos temos opinado sobre recitais e concertos; gravações e publicações; obras, formas, estilos e instrumentos; compositores e hinógrafos; hinários, hinos e hinologia; personalidades e instituições; organização e repertório da música-de-igreja.

Esta coluna constituiu-se em repositório de subsídios para uma futura história da música nas igrejas batistas do Brasil. Neste artigo relembraremos os recitais e concertos que foram eventos marcantes nas últimas seis décadas.

Nas décadas de 50 e 60, mereceram nossa atenção o Coral Excelsior e a Associação Coral Evangélica, as mais atuantes instituições musicais no Rio de Janeiro. O "Excelsior" especializava-se na execução de oratórios, óperas e cantatas do compositor batista Guilherme Loureiro, de índole nativa e caracterizadas pelo vigor de sua originalidade. A "ACE", regida por Levino Ferreira de Alcântara e Heitor Argolo, divulgava as obras dos mestres da música religiosa, por meio de grandes massas corais. Entre elas havia algo de competição na excelência musical.

O elevado nível artístico do repertório dessas instituições era emulado pelos coros de igrejas batistas cariocas, regidos por Heitor Argôlo (S. Francisco Xavier), Natanael Mesquita (PIB do Rio de Janeiro), Dorivil de Souza (Madureira) e Saulo Velasco (Campo dos Afonsos), e pelo coro da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo (João Wilson Faustini).

Na década de 70, em Brasília despontou o Coro Memorial, regido por Tasso Brasileiro do Vale e Albano Sílvio de Freitas, nas várias execuções da cantata "Maior Amor", de John Peterson (1921-2006); essa obra, 30 anos depois, ainda conserva o viço de sua beleza melódica e expressividade literária. No Rio de Janeiro, na Igreja Batista do Méier, sob a regência de Guilherme Loureiro, o coro interpretava a cantata "Maravilhoso Salvador", também de Peterson. Essa era a música "séria" executada nas igrejas batistas, antes de uma lastimável transição.

Nas décadas de 60 e 70 tinham começado a produzir seus efeitos maléficos na música-de-igreja (evitamos falar música sacra) o "rock" profano e as melodias "litúrgicas" promovidas pela Igreja Anglicana e pela Igreja Romana. De pronto, denunciamos as músicas inconvenientes aos cultos das igrejas batistas, de origem erudita ou popular, mas não deixamos de apontar aos líderes das igrejas as origens e os rumos da verdadeira música-de-igreja. Nos EUA, o canto coral tinha sido deturpado pela suposta necessidade de ser acompanhado de expressão corporal; a atenção do auditório era desviada do senso auditivo para o visual. Com essa concepção novidadeira, Buryl Red musicou o espetáculo "Celebrate Life", que, em 1975, sob o título "Celebração", foi encenado em Brasília por Roger Cole com a participação do Coral Jovem de São Paulo.

Na década de 80, os coros da Faculdade Teológica Batista de Brasília (Edith Brock Mulholland) e da Igreja Batista na Vila Mariana, em São Paulo (Maria Isabel Glasser Leme Stach) estavam num dos seus melhores tempos.

Nessa década brotou um ramo artísticamente pobre na música evangélica importada pelo Brasil: o aparecimento do conjunto musical paulistano "Água Viva", patrocinado pelo MILAD, quase simultaneamente com o florescimento da "Contemporary Christian Music" (música cristã contemporânea), que produziu o fenômeno "praise and worship" (louvor e adoração). Para piorar o nível dessa música evangélica de apelo popular, alcunhada de "gospel music", também entrou em cena com seu "rock" o "Rebanhão", um imenso rebanho sem pastor.

Na década de 90 prestigiamos os bons concertos corais, realizados pelo Coro da Igreja Batista do Brás (Elias Moreira da Silva), Coral "Eclésia" (Anna Campello Egger), "Hiero Madrigal" (Maurílio Costa), Coral Excelsior (João Genúncio), Coro "Mensageiros da Paz" (Albano Sílvio de Freitas) e Coro Memorial (Anderson Silveira Motta), e os recitais de Gamaliel Perruci, Dorotéa Kerr e Marylin Cochran, que salvaram a música batista da horripilante mediocridade, disseminada na época pelos "musical shows".

Na década atual, combatemos o "gospel rock" ("roque evangélico"), a bateria, a coreografia e a dança no templo, mas elogiamos o concerto de música sacra barroca, realizado pelo grupo vocal (sic) "Per Sonare", o recital de Ralph Manuel e os encontros de quartetos masculinos, patrocinados, em Brasília, pela Igreja Memorial Batista.

Tivemos oportunidade de comentar os concertos do coro infanto-juvenil de Leipzig (1955), dos coros "Bach" do Recife (1955), de São Paulo (1961) e de Niterói (1976) e as turnês dos "Teentoners" (1968), dos "Centurymen" (1977 e 1998) e dos "Singing Men of Texas" (1982). Isso demonstra que o que é bom demora a vir, mas raramente volta ...

Recitais e concertos de uma categoria especial foram os de órgão, realizados, no Rio de Janeiro, por Marília Soren (1959), Domitila Ballesteros (1980), Edson Lopes Elias e Dorotéa Kerr (1993), e em Brasília, por Marjorie Traxler (1963), Onésimo Gomes da Silva (1966) e Betty Antunes de Oliveira (1980). Ainda está longe de ser alcançado o ideal de termos música de órgão, de boa qualidade, nas igrejas batistas do Brasil.

(Publicado em "O Jornal Batista", 03 dez 2006, p. 4).

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Música – Nº. 711

55 anos de crítica musical (II)

Rolando de Nassáu

(Dedicado à leitora Westh Ney, do Rio de Janeiro, RJ)

Como mediador entre o músico e o público, o crítico oferece interpretações, análises e comparações; estas, são inevitáveis; o crítico a elas recorre, julgando a partir de modelos semelhantes, diferentes ou relacionados, quando as obras ou os intérpretes exigem avaliação de suas qualidades; entretanto, são traiçoeiras. Se o crítico prefere interpretá-las, entra num processo perigoso, mas, desde que seja isento de preconceitos, suas opiniões devem ser respeitadas. Se pretende analisá-las, terá que fazê-lo o mais objetivamente possível.

O crítico, não necessariamente músico, deve possuir senso ético e musical para escrever sobre assuntos musicais. No caso de música-de-igreja, ou, mais restritamente, música-de-culto, deve ser fiel à pureza desse gênero musical.

Um artigo pode gerar controvérsia ou suscitar polêmica; mas é honesto? Assim deve julga-lo o leitor. Os criticados geralmente não gostam de encarar a verdade contida nos artigos de crítica. Quem é o crítico maravilhoso? Aquele que aplaude todas as obras e todas as execuções? Os leitores desta coluna sabem que não somos esse tipo de crítico ...

É difícil ser crítico; ele deve expressar uma opinião verossímil, coerente e independente. Os executantes da obra musical estão sob o seu crivo; ele estará sob o foco dos leitores. A visão particular de cada um dos leitores modifica a exposição do crítico, por mais abalizada que seja a crítica.

Em 709 artigos procuramos abarcar todos os aspectos da música.

Nossa coluna comentou as gravações das mais importantes obras da música religiosa erudita, com o objetivo de colaborar com os leitores na seleção de discos em áudio (LP e CD) e vídeo (VHS e DVD). Além disso, prestigiamos as gravações realizadas pela JURATEL, por coros ("ACE", "Excelsior", "Eclésia", seminário e Igreja Batista Imperial do Recife, "Cantores da Liberdade", coros evangélicos de São Paulo, First Baptist Church of Orlando, Florida, USA, Fort Worth Oratorio Chorus), organistas (Noé Ramos Pinheiro, Léo Vitor Biato, Onésimo Gomes da Silva, Elisa Freixo, Dorotéa Kerr, Anne Schneider) e contendo composições de Denise Corrêa de Souza Frederico e Rick Muchow.

Escrevemos resenhas sobre os livros de Edmond Keith, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Gióia Júnior, Otto Maria Carpeaux, Kurt Pahlen, Leopol do Alves Feitosa, Bill Ichter, Ruy Wanderley, Arthur Lakschevitz, Waldenir Carvalho, João Wilson Faustini, Gamaliel Perruci, George Orwell, Thomas Mann, Edmund Fellowes, Paul McCommon, Anna Magdalena Bach, José dos Reis Pereira, David Tame, Simei de Barros Monteiro, Rick Warren, Dan Lucarini.

Analisamos obras musicais: "Jerusalém, a Canaã Celeste" (Loureiro), "Paixão, segundo S. Mateus", "Cantata da Reforma", "Missa em si menor" e "O Cravo Bem Temperado" (J. S. Bach), "Messias" (Haendel), "Réquiem" e "Vésperas" (Mozart), "Elias" (Mendelssohn), "Hino Pontifício" (Gounod), "Amor e Bondade" e "Maior Amor" (Peterson), "Sinfonia dos Salmos" (Stravinsky), "Apocalípse de João" (Pierre Henry), "Cristo no Monte das Oliveiras" (Beethoven), "Lamentações de Jeremias" (Tallis), "Cristo" (Liszt), "A Infância de Cristo" (Berlioz), "As Bem-Aventuranças" (Franck) e "São João Batista" (Schneider), além de peças de Red e Rutter.

Entre os artigos mais úteis ao leitor comum talvez aqueles que trataram de hinários, hinógrafos e compositores de obras de música religiosa. Sobressaem os dedicados ao "Cantor Cristão", "Hinário para o Culto Cristão", "Baptist Hymnal", "Novo Cântico – Hinário Presbiteriano", "Salmos e Hinos"; Gióia Júnior, Salomão Luiz Ginsburg, John Fawcett, Martin Luther, Ricardo Pitrowsky, João Diener, Manoel Avelino de Souza, James Edwin Orr, Jean Calvin, Mark Carver, Emma Ginsburg, Hiram Simões Rollo Júnior, William Edwin Entzminger, João Alexandre; Bach, Schutz, Beethoven, Haendel, Mozart, Benedetto Marcello, Ives, Ruggles, Sessions, Thompson, Copland, Franco, Barber, Hovhaness, Bernstein, Foss, Walther, Hassler, Praetorius, Schein, Bourgeois, Goudimel, Le Jeune, Sweelinck, Taverner, Tye, Tallis, Byrd, Weelkes, Gibbons, Tomkins, Scheidt, Cruger, Keiser, Telemann, Purcell, Blow, Croft, Greene, Boyce, Mendelssohn, Brahms, Parry, Stanford, Elgar, Honegger, Burkhard e Martin.

Talvez tenham sido interessantes para os músicos os nossos artigos sobre organização e repertório da música-de-igreja: ordem do culto (nove artigos), ministro de música, diretor musical, cursos de música sacra, liturgia, canto coral, canto congregacional, música instrumental, escola de música, biblioteca musical, coros graduados, musicologia, encontros de músicos.

Entrevistamos Heitor Argolo, Guilherme Loureiro, Ernani de Souza Freitas, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Gamaliel Perruci, Nabor Nunes Filho, Marcílio de Oliveira Filho, Clint Kimbrough, William Phiri, Francisco Nicodemos Sanches, Henoch Quiavaúca, Ruy Wanderley, Josué Mello Salgado, Elpídio Araújo Néris e Itamar Souza Brito, que deram preciosas informações e opiniões sobre a música batista no Brasil e em outros países.

Este foi o nosso trabalho nos últimos 55 anos (1951/2006). A nossa música não é de levantar poeira ... Agora, o crítico submete-se ao julgamento dos leitores.

(Publicado em "O Jornal Batista", 07 jan 2007, p. 4).

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"Culto – Celebração e Devoção"

Roberto Torres Hollanda

Este nosso livro, lançado pela JUERP em janeiro de 2007, por ocasião da abertura da assembléia do centenário da Convenção Batista Brasileira, trata do culto público desde os tempos bíblicos até os nossos dias. Por isso, citamos mais de 600 passagens das Sagradas Escrituras para respaldar nossas idéias sobre o tema.

Consultamos 110 livros de renomados escritores (Ronald Allen, Paul Basden, Harold Best, Andrew Blackwood, Donald Carson, Nilson Dimárzio, Keith Drury, Eusébio de Cesaréia, João Wilson Faustini, John Frame, Daniel Frankforter, Joseph Gelineau, Alfred Gibbs, Donald Hustad, Helmut Koester, Barry Liesch, Dan Lucarini, John Mac Arthur, Ralph Martin, John Piper, Robb Redman, Erik Routley, Philip Ryken, Russell Shedd, John Stott, Sammy Tippit, A. Tozer, Robert Webber, entre outros) que demonstram as mudanças havidas no culto cristão nos últimos 45 anos.

Indicamos 27 sites na Internet onde são discutidos os mais recentes modismos que assediam as igrejas evangélicas.

São quatro capítulos, que abrangem os vários aspectos do culto cristão.

Em cada capítulo, abrimos itens para informar sobre as origens e acepções de palavras, comentar passagens bíblicas que lhes são pertinentes, refletir sobre questões da atualidade cristã e questionar as idéias do leitor a respeito dos assuntos versados no livro.

No capítulo 1 - Culto, discutimos formatos e ambientes de culto praticados

em igrejas batistas, evangélicas, protestantes e católicas, criticamos as diversas implicações da adoção de um formato litúrgico e sugerimos normas práticas para a elaboração da Ordem de Culto nas igrejas batistas.

No capítulo 2 - Adoração, tratamos do culto particular, quando o crente deve praticar exercícios espirituais, tais como o estudo da Palavra de Deus, a meditação, a oração, o jejum, a confissão e a solicitude.

O capítulo 3 - Louvor, fará o leitor refletir sobre suas oportunidades e maneiras de expressar o seu louvor a Deus, individual e coletivamente.

No capítulo 4 - Celebração, procuramos pensar maduramente sobre práticas do culto batista: quando é lida a Palavra de Deus; quando são realizados o batismo e a Ceia do Senhor; como é observado o Dia do Senhor; como é feita a consagração de ministros e a dedicação de dízimos e ofertas; porque o apelo evangelístico, as saudações, os testemunhos pessoais e a expressão extática podem comprometer a seriedade do culto; se estamos sabendo aproveitar criteriosamente a liberdade religiosa; se a cerimônia e os propósitos do matrimônio, bem como a apresentação de crianças no templo, estão sendo realizados à luz dos ensinamentos da Bíblia; se nas datas festivas e nas cerimônias fúnebres são observadas as admoestações do apóstolo Paulo referentes à ordem e ao decoro.

Nos quatro capítulos, tivemos o cuidado de pesquisar como tem sido o comportamento dos cristãos, desde os tempos da igreja primitiva até os dias atuais.

Nosso conceito de culto é a mais importante questão para as igrejas cristãs na atualidade. Muitos crentes são persuadidos de que o formato e o ambiente de culto são escolhidos pelo gosto e pelo nível cultural da pessoa. Mas devem ser escolhidos pelos padrões bíblicos, que passam de geração a geração. Algumas pessoas, desde a década de 60, se desviaram dos padrões estabelecidos para o culto divino.

Em nosso livro "Culto - Celebração e Devoção", identificamos quatro desvios dos padrões: 1Ί.) ambiente ritual, regido por normas litúrgicas ou quase-litúrgicas; 2Ί.) ambiente emocional, procurado por pessoas curiosas que querem satisfazer seus anseios; 3Ί.) ambiente profano, pelas pessoas que querem entretenimento; 4Ί.) ambiente desrespeitoso, aberto às pessoas que não têm reverência no culto.

Preocupados com esses desvios, indicamos quatro opções adequadas para a correção dos conceitos e comportamentos a respeito do culto: 1ͺ.) culto espiritual, baseado na experiência pessoal do cultuante; 2ͺ.) culto racional, caracterizado pela simplicidade e aderência à Bíblia; 3ͺ.) culto sagrado, que faça distinção entre sacro e profano em todas as partes do culto; 4ͺ.) culto reverente, que demonstre temor pela Pessoa e pela Palavra de Deus.

Nossos leitores estão convidados a refletir sobre o conceito de culto que eles têm, e a respeito do que está sendo proposto em nosso livro.

(Publicado em "O Jornal Batista", 10 jun 2007).

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Música – Nº. 721

Dez anos na Internet !

Rolando de Nassáu

(Dedicado ao leitor João Marcos Soren, do Rio de Janeiro, RJ)

Desde o lançamento, em 15 de junho de 1997, o nosso amigo Rosber Neves Almeida tem sido o "webmaster" de "Nassau’s Optics on Topics", nossa página na Internet (http://www.abordo.com.br/nassau/). Durante os últimos 10 anos, Rosber tem demonstrado sua lealdade e prestimosidade, comungando conosco o ideal de prestar aos visitantes notícias e informações sobre importantes fatos e eventos da vida musical no Brasil e no exterior, especialmente os relacionados com a música evangélica (ver: O JORNAL BATISTA, 25 maio 98, p. 16).

Nosso "site" compõe-se de cinco partes fixas. Nos "TÓPICOS", selecionamos num "cânone" as mais importantes obras de música, sacra e religiosa; comentamos atividades de coros; prestamos informações sobre formas da música-de-igreja; apreciamos hinos (de Lutero, Carver, Entzminger, Ginsburg, Manuel Avelino, Pitrowsky e Hiram Rollo Jr.) e hinários evangélicos ("Cantor Cristão", "Hinário para o Culto Cristão" e "Salmos e Hinos"); quanto à contribuição do "Cantor Cristão" para a preservação da identidade denominacional batista, ressaltávamos o fato ameaçador de que, nos últimos 25 anos (1971-1996), isto é, uma geração de novos membros de igrejas, algumas dessas igrejas foram perdendo o seu primeiro amor pelo nosso hinário oficial; na ocasião, indagamos: a hinodia batista, sem apelar para o populismo musical, tem influenciado a sociedade brasileira e as nações de fala portuguesa? Ou está sendo influenciada pelos ritmos da música popular?; divulgamos dados técnicos de órgãos eclesiásticos; logo no início, em 1997, afirmamos que a verborragia e as freqüentes manifestações congregacionais não davam oportunidade à calma voz de um instrumento suave (o órgão, por exemplo), que poderia facilitar o recolhimento individual durante o culto divino em muitas igrejas; muito pelo contrário, o ambiente de introspecção era invadido pelo barulho da bateria e da guitarra; analisamos filmes cinematográficos e gravações em discos (CD e DVD); criticamos obras religiosas influenciadas pela música profana popular; recomendamos livros sobre música; as revistas "VINDE" "LOUVOR" e "ULTIMATO", em 1998, aproveitaram matérias publicadas na AGENDA; no portal "YAHOO", um consulente perguntou: "Qual o nome da música tocada pelos violinistas quando o "Titanic" está afundando?"; a melhor resposta foi dada por outro assinante, baseada num tópico hinológico do nosso "site" (ver: O JORNAL BATISTA, 14 jun 92, p. 2); lançamos aos visitantes de nossa página duas questões: 1) você considera correto usar música erudita no culto da igreja?; 2) você considera correto usar ritmos de música popular, brasileira ou estrangeira, no culto da igreja?; procuramos, por meio de uma pesquisa, traçar o perfil do nosso leitor; quanto ao repertório, fizemos sugestões de canto coral e música instrumental, além de peças musicais para o Natal e cerimônias nupciais.

Nos "TOPICS IN ENGLISH", alguns desses assuntos são apresentados numa versão inglesa.

"ESPAÇO ABERTO" é a parte de nossa página franqueada aos visitantes para que apresentem suas perguntas, opiniões e sugestões.

Na "GALERIA", o visitante pode obter informações sobre personalidades da música evangélica.

Recomendamos alguns "LINKS" de igrejas e instituições culturais.

Nos primeiros 10 anos de circulação, cerca de 12 mil visitantes acessaram nossa "home page". Foram feitas mais de 440 consultas (principalmente sobre hinos e hinários), que foram prontamente respondidas.

A "AGENDA" é a parte móvel de nosso "site". De 1997 até 15 de julho de 2007, foram "ao ar" 72 edições. Nosso objetivo inicial era anunciar com prioridade os próximos eventos de músicos e instituições evangélicas, mas os nãoevangélicos sempre foram mais interessados na divulgação de seus recitais e concertos; estes, além de pedirem, agradeciam as notas, sempre publicadas gratuitamente; muitos evangélicos, além de não pedirem, não agradeciam, numa demonstração de que ainda não entendem o valor da comunicação social. Apesar da falta de colaboração, um quarto das notícias referia-se a eventos com participação de músicos ou instituições (igrejas, associações, escolas, etc.) evangélicas.

Nossa AGENDA prestigiou as atividades (recitais e concertos) de centenas de músicos evangélicos. Entre 15 de junho de 97 e 13 de junho de 99, freqüentaram a coluna "Próximos eventos" os seguintes músicos: Guilherme Loureiro, Marcílio de Oliveira Filho, Marília Soren, João Wilson Faustini, Almir Rosa, Isidoro de Paula, Ralph Manuel, Joan Sutton, Bill Ichter, Dorotéa Kerr, Gamaliel Perruci, Cleide Benjamin, Alcingstone Cunha, Maurílio Costa, Joel Teles, Ilem Vargas, Raquel Calazans, Siléa Stoppato, Ernestine Egger, Leda Luiz, Suray Soren, Ângelo Dell’ Orto, Philip Doyle, Ezequiel Decotelli, Ruy Wanderley, Betty Antunes de Oliveira, Elias Moreira da Silva, Nabor Nunes Filho, Fred Spann, Edith Mulholland, Anna Campello Egger, Buryl Red, Simei Monteiro, Emílio de César, Eugênio Gall, Parcival Módolo, Gilberto Massambani, Alzira Araújo, Eloísa Baldin, Hiram Rollo Jr., Albete Corrêa, Edson Elias, John Peterson, Stela Júnia, Noé Ramos Pinheiro, Domitila Ballesteros, Regina Lacerda, Elza Lakschevitz, Gustav Janzen, Samuel Kerr, Júlio Amstalden, Tamára Ujákova, Samuel de Andrade Gomes, Sidney Chiabay, Delcí Bernardes Gonçalves, Leuzi Figueira, Malu Mestrinho, Joel Barbosa, Júnia Chagas, Tasso Brasileiro do Vale, Jilza Feitosa de Araújo, Kenny Simões, Sérgio de Souza, Umberto Cantoni, Eunice Rubim, Mirna Rubim, Asaph Borba, Moisés Ribeiro, Hely Paiva, Albano Freitas, Mara Vasconcelos, Vanessa Schoenell, Silas Sias, Roberto Minczuk, David Junker, Israel Menezes, Bailinda Heckert, Nélson Mathias, Marília Alvarez, Mônica Vasques, Yára Moreira, Nélson Silva, Anderson Motta, Kalley Peixoto Seraine, Nabor Nunes Filho, Denise Cordeiro de Souza Frederico, Adhemar de Campos, Ismênia Regina Dimárzio, Célia Câmara Reis, Eudora Pitrowsky Salles, Hildaléa Gaidzakian, Humberto Barbosa Sanches e Paulo Roberto Calciolari Cerqueira. Depois de 1999, cremos que várias centenas de outros músicos tiveram guarida em nossa AGENDA.

Já avisamos os visitantes que depois de 29 de fevereiro de 2008 a "AGENDA" de nosso "site" não será atualizada.

Pelo menos, a coleção das 72 edições da "AGENDA" servirá como rico repositório de informações sobre a vida musical entre os evangélicos no Brasil e no mundo, no período de 1997 a 2008 ...

(Publicado em "O Jornal Batista", 07 out 2007, p. 4).

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Existe liturgia batista?

Rolando de Nassáu

No grego clássico, o significado normal da palavra leitourgia (liturgia) é o de serviço público. Os latinos traduziram leitourgia por ministerium (Agostinho) ou por officium (Jerônimo). Até o século 16, os autores falavam De divinis officiis, ou De ritibus ecclesiae. O termo liturgia foi introduzido na língua latina pelos eruditos do fim dos séculos 16 e 17. O adjetivo liturgicus aparece, então, pela primeira vez.

Na igreja de língua grega, o termo leitourgia tem uma acepção restrita: designa exclusivamente a missa e seus formulários.

Na igreja de língua latina, litúrgica, res liturgicae; liturgia também se refere exclusivamente à missa.

A extensão ao sentido atual, englobando todos os atos do culto católico, e não somente a missa, efetuou-se no século 18.

O papa Pio XII, que foi importante liturgista da igreja romana, em 1947 fez restrições a duas definições correntes de liturgia: (1) a parte externa e sensível do culto, expressa pelas cerimônias; (2) o conjunto de leis e regras com que a hierarquia eclesiástica, em Roma, manda ordenar a execução dos ritos.

Em 1963, o Concílio Ecumênico Vaticano II afirmou que os elementos essenciais da liturgia são constituídos pelos sacramentos, por isso, a liturgia só pode ser realizada pela ação da hierarquia eclesiástica (ver: Aimé-Georges Martimort, L’ Église em prière - Introduction à la liturgie. 3ème edition. Paris-Tournai: Desclée, 1965).

No sentido autêntico, liturgia é o culto, público e oficial, instituído por uma autoridade eclesiástica. Com a liturgia, uma igreja, consequentemente, impõe uma forma rígida para a realização do culto.

Compete à autoridade eclesiástica definir as adaptações, principalmente no que se refere à administração dos sacramentos e à execução de música sacra, e admiti-las no culto.

Pelo que foi exposto, a rigor, o culto público nas igrejas batistas não é litúrgico, porque não existe liturgia (que prevê livros, ano litúrgico, estações litúrgicas, sinais, rituais, ritos etc.), nem hierarquia na organização batista. A Convenção Brasileira, as convenções regionais, estaduais, municipais ou distritais não têm competência para regular o culto das igrejas batistas a elas filiadas, nem delegam competência a algum órgão litúrgico, porque este, simplesmente, não existe (ver: Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, Artigos VIII e XV).

Por definição, uma igreja batista não é litúrgica, porque seu culto não obedece a uma liturgia ou a uma autoridade eclesiástica.

Quando o termo liturgia é aplicado à Ordem de Culto, isso demonstra a falta de conhecimento da matéria por quem o usa.

(Publicado na revista "Administração Eclesiástica", out., nov., dez. 2007, p. 25).

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Doc.JB-738

Frases

Rolando de Nassáu

(Artigo dedicado ao leitor Walter Santos Baptista, de Salvador, BA)

Mário Barreto França – "O Sr. Mário Barreto França abusou do direito de ser poeta, ao afirmar, no prólogo do poema "O herói de Abetáia", que a FEB foi à Itália para restaurar a democracia no Brasil" (OJB, 13 dez 1951).

Guilherme Loureiro – "A Guilherme Loureiro deve a Denominação Batista o engrandecimento da literatura musical destinada às suas congregações" (OJB, 28 jul 1955).

Heitor Argolo e Levino de Alcântara – "Heitor Argolo, digno continuador de Levino de Alcântara, tem-se mostrado um regente abnegado; merece os maiores elogios nesta efeméride, grata a todos os evangélicos do Rio de Janeiro" (OJB, 28 jul 1955).

Gióia Júnior – "Constata-se a sublime inspiração de Gióia Júnior, que, segundo nos disse, antes de escrever os seus poemas, reunidos sob o título de uma das obras de Bach, "Jesus, alegria dos homens", ouve as cantatas desse gênio da música sacra" (OJB, 22 dez 1955).

Bach, Bradley e Baker – (No Congresso da Aliança Batista Mundial, no Rio de Janeiro) Bach, Bradley e Baker proporcionaram a melhor música: o misticismo intelectualizado da cultura alemã (J. S. Bach), o fervor bravio da alma negra (Robert Bradley) e a simplicidade religiosa do americano típico (Clifton Baker)" (OJB, 25 ago 1960).

Ministros de música – "Raras são as igrejas batistas no Brasil que têm condições financeiras para sustentar, com tempo integral e remuneração condigna, um diretor musical. Seria um sacrifício adiável ou um luxo censurável ter um ministro de música, quando falta dinheiro para as necessidades primordiais e essenciais da igreja" (OJB, 16 mai 1965).

Músicas inconvenientes – "A ignorância ou a complacência de alguns dirigentes de programas, reuniões e cultos têm gerado em nosso povo a idéia errônea de que toda a boa música, erudita ou não, serve para ser executada num templo ou num programa radiofônico evangélico. E mais: que toda a música dos grandes compositores é do gênero sacro. Há mais de 15 anos venho combatendo a preguiça intelectual dos que tentam impingir como sacras essas músicas inconvenientes. E ainda considero necessário combatê-los!" (OJB, 12 mar 1967).

Música sacra e música profana – "Os que se ocupam ou preocupam com os rumos da música sacra desejam separá-la, essencial e formalmente, da música profana. É uma tarefa difícil, pois as mistificações, os erros e os equívocos são frequentes" (OJB, 07 mai 1967).

Influência das melodias sobre o gosto musical – "Já afirmei (OJB, 22 ago 1976) que o repertório de hinos das nossas igrejas é limitado. Acabo de constatar que apenas um terço dos compositores e das melodias do "Cantor Cristão" exercem poderosa influência sobre o gosto musical dos Batistas brasileiros" (OJB, 12 dez 1976).

Música batista e cultura brasileira – "Durante os últimos 20 anos (1956-1976), a música batista no Brasil evoluiu; foi aumentando, em nosso meio, o número de pessoas e de grupos capazes para a composição e a execução musical.

Prosperou a consciência denominacional de que a nossa música foi implantada e manteve-se em flagrante contradição com a cultura brasileira" (OJB, 09 jan 1977).

"Messias" – "O Departamento de Música ... publicou, recentemente, impressa pela Casa Publicadora Batista, a partitura do oratório "Messias", de Haendel ...

A edição da JUERP ... chancelou a mais importante publicação do Departamento de Música em seus 19 anos de existência. Este empreendimento editorial honra não somente a literatura evangélica, mas também a produção musical brasileira" (OJB, 16 abr 1978).

"Play-back" – "Parece-nos impróprio e indevido o uso de música instrumental produzida e difundida eletronicamente (discos e fitas magnéticas), ainda que sua execução seja técnica e artisticamente superior àquela que se poderia esperar dos instrumentos disponíveis, ou quando estes não existem na igreja local. Essa execução estaria privada do elemento essencial ao culto, que é a participação pessoal do crente" (OJB, 15 abr 1979).

Ministério da música – "É preciso que os seminários e as faculdades teológicas informem os candidatos sobre a natureza e a missão do ministério da música.

Isso evitará que, mesmo depois de concluído o curso, ignorem a importância de sua capacitação. Alguns ministros de música só se consideram "realizados" quando convidados a pregar. Ora, a função deles é transmitir a mensagem do Evangelho através da música. Outros, não se entrosam com os pastores, porque não sabem qual é a sua posição na estrutura organizacional" (OJB, 27 jan 1980).

Guitarra – "A guitarra jazzística foi inovada por Charles Christian e explorada por B. B. King e Bill Haley. Milhares de jovens aderiram à moda. Até mesmo nas igrejas ..." (OJB, 22 mar 1981).

Canto na Convenção do Centenário – "Cremos que teria sido muito significativo se a congregação, ao final dos trabalhos convencionais, tivesse cantado "Chuvas de bênçãos" (CC-168), o primeiro hino traduzido por Ginsburg ao chegar, em 1890, ao Brasil" (OJB, 05 dez 1982).

"Show" do MILAD em Brasília – "Que adoração foi essa, na qual o entretenimento foi mais importante do que o culto a Deus? na qual o efeito visual e auditivo (de fora para dentro) foi mais buscado do que a expressão emocional e espiritual (de dentro para fora) dos jovens?" (OJB, 25 mai 1986).

Comportamento no culto – "O comportamento dos evangélicos brasileiros no culto está sendo orientado por duas modas extremas: a efervescência carismática, que prefere a improvisação e favorece a espontaneidade, e o prurido litúrgico, que espera o preparo antecipado dos atos cultuais e exige a minuciosa organização do culto" (OJB, 11 mar 1990).

Áudio e video – "Vivemos numa época em que o fenômeno visual (vídeo) é privilegiado em detrimento do fenômeno auditivo (áudio)". (OJB, 29 abr 1990).

Ministério e Departamento – "Não se deve confundir Ministério com Departamento: ministério é atividade; departamento é estrutura organizacional.

O ministério da música na igreja local é uma atividade destinada a desenvolver, através de um departamento, um programa de instrução e treinamento musical em todas as áreas do trabalho eclesiástico" (OJB, 07 out 1990).

Intrumentos da música popular – "Mesmo em igrejas antigas e tradicionais encontramos o malabarismo espalhafatoso e estrepitoso da bateria, o grunhido estridente e lancinante da guitarra, o ritmo sensual e balançante do piano e, até, o som ziguezagueante do saxofone ..." (OJB, 17 mar 1991).

"Excelsior" executou Stainer – "A apresentação do "Excelsior", idealizada por João Genúncio, foi um tributo "a tantas vidas que se dedicaram à música evangélica"; evidentemente, não se tratava da música que estamos ouvindo nos estádios, nos auditórios das emissoras de rádio e televisão, e até mesmo nos templos!" (OJB, 12 jun 2000).

A gravação do século – "Louvável o esforço de manter o patrimônio hinodico dos evangélicos no Brasil. Se forem destruídos, neste século 21, todos os hinários e todas as gravações de hinos, mas se permanecer intacto este CD (gravado por Dorotéa Kerr), as futuras gerações poderão saber como e o que cantavam os evangélicos brasileiros" (OJB, 12 mar 2001)

"Eclesia" na Sala "Cecília Meireles" – "O CD (gravado por Anna Campello Egger) já pode ser considerado a mais importante gravação realizada nos últimos 50 anos por um coro de igreja batista no Brasil" (OJB, 19 ago 2002).

Dissertação – "Verner Geier prestou valiosa contribuição ao esclarecimento da questão (oficializar ou não os cursos de música) e à elaboração de currículos (adaptar ou não aos padrões do Ministério da Educação), que deve ser examinada por professores e alunos. Cremos que o exame é indispensável a que eles tenham maior conscientização de sua função nos cursos e nas igrejas" (OJB, 01 abr 2007).

Música popular na Escola Bíblica Dominical – "... durante todo o dia e toda a noite, os ímpios (os crentes também) ouvem a música popular; não precisam ir à EBD para ouví-la ..." (OJB, 07 dez 2008).

(Publicado em "O Jornal Batista", 04 jan 09, p. 4).

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